O RG dos remédios

29/06/2009

RG do remédioCaixas de medicamentos à venda no Brasil terão tecnologia especial de rastreamento para combater a indústria bilionária da falsificação e do comércio ilegal.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apreendeu 170 toneladas de medicamentos somente nos primeiros três meses deste ano. Foram milhares de caixas de remédios falsificados, roubados ou sem registro. As apreensões representaram um salto de quase nove vezes sobre o total de 2008. Mas o enorme mercado ilegal de remédios, que chega a movimentar entre 5 bilhões e 8 bilhões de reais por ano, pode estar perto de ser cortado pela raiz - com o apoio da tecnologia digital. Um sistema de monitoramento capaz de rastrear toda a cadeia de produção dos medicamentos vendidos no Brasil, desde os fabricantes até o varejo, começa a ser testado neste ano.

Cada caixa terá um código digital que conterá as seguintes informações: quem fabricou o remédio, quando, qual foi a data de expedição da fábrica e qual o distribuidor de destino. Todas as informações serão arquivadas em um banco de dados único controlado pela Anvisa, um grande repositório central da procedência dos remédios legalmente produzidos e vendidos no Brasil. "Será um verdadeiro RG do medicamento. Por meio dele, será possível saber todo o caminho que o remédio percorreu e até mesmo identificar se ele foi roubado", afirma Dirceu Raposo de Mello, presidente da agência.

Ao lado das falsificações, o roubo de carga traz grandes prejuízos aos laboratórios. Juntas, as perdas ultrapassam 10 bilhões de reais por ano, ante um faturamento de 23 bilhões de reais. Os preferidos dos criminosos são os medicamentos para disfunção erétil, câncer, HIV, abortivos e anabolizantes, segundo Marcelo Liebhardt, da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma). O rastreamento ajudará a coibir o roubo de cargas especialmente porque o banco de dados central controlado pela Anvisa receberá as informações dos distribuidores - os intermediários entre os fabricantes e as farmácias - e também do varejo.

O projeto prevê que as farmácias tenham leitores dos novos códigos do medicamento à disposição dos clientes. Ao escanear um remédio pelo equipamento, o consumidor terá a garantia de que se trata de um produto de procedência legítima. A medida também é uma forma de inibir a falsificação. Mesmo que as caixas sejam fraudadas, não haverá informações registradas no código digital gravado na caixa dos remédios. "O sistema vai representar tolerância zero contra o roubo, a falsificação e a sonegação fiscal", diz Liebhardt.

Fonte: Revista Exame